A velhice é um período normal do ciclo vital caracterizado por algumas mudanças físicas, mentais e psicológicas. É importante fazer essa consideração pois algumas alterações nesses aspectos não caracterizam necessariamente uma doença. Em contrapartida, há alguns transtornos que são mais comuns em idosos como transtornos depressivos, transtornos cognitivos, fobias e transtornos por uso de álcool. Além disso, os idosos apresentam risco de suicídio e risco de desenvolver sintomas psiquiátricos induzidos por medicamentos.
Muitos transtornos mentais em idosos podem ser evitados, aliviados ou mesmo revertidos. Consequentemente, uma avaliação médica se faz necessária para o esclarecimento do quadro apresentado pelo idoso.
Diversos fatores psicossociais de risco também predispõem os idosos a transtornos mentais.
Esses fatores de risco incluem:
- Perda de papéis sociais
- Perda da autonomia
- Morte de amigos e parentes
- Saúde em declínio
- Isolamento social
- Restrições financeiras
- Redução do funcionamento cognitivo (capacidade de compreender e pensar de uma forma lógica, com prejuízo na memória).
Transtornos psiquiátricos mais comuns em idosos
- Demência
- Demência tipo Alzheimer
- Demência vascular
- Esquizofrenia
- Transtornos depressivos
- Transtorno bipolar (do humor)
- Transtorno delirante
- Transtornos de ansiedade
- Transtornos somatoformes
- Transtornos por uso de álcool e outras substâncias
Demência
Demência é um comprometimento cognitivo geralmente progressivo e irreversível. As funções mentais anteriormente adquiridas são gradualmente perdidas. Com o aumento da idade a demência torna-se mais frequente. Acomete 5 a 15% das pessoas com mais de 65 anos e aumenta para 20% nas pessoas com mais de 80 anos.
Os fatores de risco conhecidos para a demência são: Idade avançada História de demência na família, Sexo feminino
Os sintomas incluem alterações na memória, na linguagem, na capacidade de orientar-se. Há perturbações comportamentais como agitação, inquietação, andar a esmo, raiva, violência, gritos, desinibição sexual e social, impulsividade, alterações do sono, pensamento ilógico e alucinações.
As causas de demência incluem lesões e tumores cerebrais, síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), álcool, medicamentos, infecções, doenças pulmonares crônicas e doenças inflamatórias. Na maioria das vezes as demências são causadas por doenças degenerativas primárias do sistema nervoso central (SNC) e por doença vascular. Cerca de 10 a 15% dos pacientes com sintomas de demência apresentam condições tratáveis como doenças sistêmicas (doenças cardíacas, renais, endócrinas), deficiências vitamínicas, uso de medicamentos e outras doenças psiquiátricas (depressão).
As demências são classificadas em vários tipos de acordo com o quadro clínico, entretanto as mais comuns são demência tipo Alzheimer e demência vascular.
1.2. Demência tipo Alzheimer
De todos os pacientes com demência, 50 a 60% têm demência tipo Alzheimer, o tipo mais comum de demência. É mais frequente em mulheres que em homens. É caracterizada por um início gradual e pelo declínio progressivo das funções cognitivas. A memória é a função cognitiva mais afetada, mas a linguagem e noção de orientação do indivíduo também são afetadas. Inicialmente, a pessoa pode apresentar uma incapacidade para aprender e evocar novas informações.
As alterações do comportamento envolvem depressão, obsessão (pensamento, sentimento, ideia ou sensação intrusiva e persistente) e desconfianças, surtos de raiva com risco de atos violentos. A desorientação leva a pessoa a andar sem rumo podendo ser encontrada longe de casa em uma condição de total confusão. Aparecem também alterações neurológicas como problemas na marcha, na fala, no desempenhar uma função motora e na compreensão do que lhe é falado.
O diagnóstico é feito com base na história do paciente e do exame clínico. As técnicas de imagem cerebral como tomografia computadorizada e ressonância magnética podem ser úteis.
O tratamento é paliativo e as medicações podem ser úteis para o manejo da agitação e das perturbações comportamentais. Não há prevenção ou cura conhecidas.
1.3. Demência vascular
É o segundo tipo mais comum de demência. Apresenta as mesmas características da demência tipo Alzheimer mas com um início abrupto e um curso gradualmente deteriorante. Pode ser prevenida através da redução de fatores de risco como hipertensão, diabete, tabagismo e arritmias. O diagnóstico pode ser confirmado por técnicas de imagem cerebral e fluxo sanguíneo cerebral.
Esquizofrenia
Esquizofrenia (esquizofrenia e outras psicoses)
Essa doença começa no final da adolescência ou idade adulta jovem e persiste por toda a vida. Cerca de 20% das pessoas com esquizofrenia não apresentam sintomas ativos aos 65 anos; 80% mostram graus variados de comprometimento. A doença torna-se menos acentuada à medida que o paciente envelhece.
Os sintomas incluem retraimento social, comportamento excêntrico, pensamento ilógico, alucinações e afeto rígido. Os idosos com esquizofrenia respondem bem ao tratamento com drogas antipsicóticas que devem ser administradas pelo médico com cautela.
Transtornos depressivos
A idade avançada não é um fator de risco para o desenvolvimento de depressão, mas ser viúvo ou viúva e ter uma doença crônica estão associados com vulnerabilidade aos transtornos depressivos. A depressão que inicia nessa faixa etária é caracterizada por vários episódios repetidos.
Os sintomas incluem redução da energia e concentração, problemas com o sono especialmente despertar precoce pela manhã e múltiplos despertares, diminuição do apetite, perda de peso e queixas somáticas (como dores pelo corpo). Um aspecto importante no quadro de pessoas idosas é a ênfase aumentada sobre as queixas somáticas.
Pode haver dificuldades de memória em idosos deprimidos que é chamado de síndrome demencial da depressão que pode ser confundida com a verdadeira demência. Além disso, a depressão pode estar associada com uma doença física e com uso de medicamentos.
Transtorno bipolar (transtornos do humor)
Os sintomas da mania em idosos são semelhantes àqueles de adultos mais jovens e incluem euforia, humor expansivo e irritável, necessidade de sono diminuída, fácil distração, impulsividade e, frequentemente, consumo excessivo de álcool. Pode haver um comportamento hostil e desconfiado. Quando um primeiro episódio de comportamento maníaco ocorre após os 65 anos, deve-se alertar para uma causa orgânica associada. O tratamento deve ser feito com medicação cuidadosamente controlada pelo médico.
Transtorno Delirante
A idade de início ocorre por volta da meia-idade mas pode ocorrer em idosos. Os sintomas são alterações do pensamento mais comumente de natureza persecutória (os pacientes creem que estão sendo espionados, seguidos, envenenados ou de algum modo assediados). Podem tornar-se violentos contra seus supostos perseguidores, trancarem-se em seus aposentos e viverem em reclusão. A natureza dos pensamentos pode ser em relação ao corpo, como acreditar ter uma doença fatal (hipocondria).
Ocorre sob estresse físico ou psicológico em indivíduos vulneráveis e pode ser precipitado pela morte do cônjuge, perda do emprego, aposentadoria, isolamento social, circunstâncias financeiras adversas, doenças médicas que debilitam ou por cirurgia, comprometimento visual e surdez.
As alterações do pensamento podem acompanhar outras doenças psiquiátricas que devem ser descartadas como demência tipo Alzheimer, transtornos por uso de álcool, esquizofrenia, transtornos depressivos e transtorno bipolar. Além disso, podem ser secundárias ao uso de medicamentos ou sinais precoces de um tumor cerebral.
Transtornos de Ansiedade
Incluem transtornos de pânico, fobias, TOC, ansiedade generalizada, de estresse agudo e de estresse pós-traumático. Desses, os mais comuns são as fobias.
Os transtornos de ansiedade começam no início ou no período intermediário da idade adulta, mas alguns aparecem pela primeira vez após os 60 anos.
As características são as mesmas das descritas em transtornos de ansiedade em outras faixas etárias.
Em idosos a fragilidade do sistema nervoso autônomo pode explicar o desenvolvimento de ansiedade após um estressor importante. O transtorno de estresse pós-traumático frequentemente é mais severo nos idosos que em indivíduos mais jovens em vista da debilidade física concomitante nos idosos.
As obsessões (pensamento, sentimento, ideia ou sensação intrusiva e persistente) e compulsões (comportamento consciente e repetitivo como contar, verificar ou evitar ou um pensamento que serve para anular uma obsessão) podem aparecer pela primeira vez em idosos, embora geralmente seja possível encontrar esses sintomas em pessoas que eram mais organizadas, perfeccionistas, pontuais e parcimoniosas. Tornam-se excessivos em seu desejo por organização, rituais e necessidade excessiva de manter rotinas. Podem ter compulsões para verificar as coisas repetidamente, tornando-se geralmente inflexíveis e rígidos.
Transtornos Somatoformes
São um grupo de transtornos que incluem sintomas físicos (por exemplo dores, náuseas e tonturas) para os quais não pode ser encontrada uma explicação médica adequada e que são suficientemente sérios para causarem um sofrimento emocional ou prejuízo significativo à capacidade do paciente para funcionar em papéis sociais e ocupacionais. Nesses transtornos, os fatores psicológicos são grandes contribuidores para o início, a severidade e a duração dos sintomas. Não são resultado de simulação consciente.
A hipocondria é comum em pacientes com mais de 60 anos, embora o seja mais frequente entre 40 e 50 anos. Exames físicos repetidos são úteis para garantirem aos pacientes que eles não têm uma doença fatal. A queixa é real, a dor é verdadeira e percebida como tal pelo paciente. Ao tratamento, deve-se dar um enfoque psicológico ou farmacológico.
Transtornos por Uso de Álcool e Outras Substâncias
Os pacientes idosos com dependência de álcool, geralmente, apresentam uma história de consumo excessivo que começou na idade adulta e apresenta uma doença médica, principalmente doença hepática. Além disso, um grande número tem demência causada pelo álcool.
A dependência de substâncias como hipnóticos, ansiolíticos e narcóticos é comum. Os pacientes idosos podem abusar de ansiolíticos para o alívio da ansiedade crônica ou para garantirem uma noite de sono.
A apresentação clínica é variada e inclui quedas, confusão mental, fraca higiene pessoal, depressão e desnutrição.
Depressão
Sinônimos e nomes relacionados:
Transtorno depressivo, depressão maior, depressão unipolar, incluindo ainda tipos diferenciados de depressão, como depressão grave, depressão psicótica, depressão atípica, depressão endógena, melancolia, depressão sazonal.
O que é a depressão?
Depressão é uma doença que se caracteriza por afetar o estado de humor da pessoa, deixando-a com um predomínio anormal de tristeza. Todas as pessoas, homens e mulheres, de qualquer faixa etária, podem ser atingidas, porém mulheres são duas vezes mais afetadas que os homens. Em crianças e idosos a doença tem características particulares, sendo a sua ocorrência em ambos os grupos também freqüente.
Como se desenvolve a depressão?
Na depressão como doença (transtorno depressivo), nem sempre é possível haver clareza sobre quais acontecimentos da vida levaram a pessoa a ficar deprimida, diferentemente das reações depressivas normais e das reações de ajustamento depressivo, nas quais é possível localizar o evento desencadeador.
As causas de depressão são múltiplas, de maneira que somadas podem iniciar a doença. Deve-se a questões constitucionais da pessoa, com fatores genéticos e neuroquímicos (neurotransmissores cerebrais) somados a fatores ambientais, sociais e psicológicos, como:
- Estresse
- Estilo de vida
- Acontecimentos vitais, tais como crises e separações conjugais, morte na família, climatério, crise da meia-idade, entre outros.
Como se diagnostica a depressão?
Na depressão a intensidade do sofrimento é intensa, durando a maior parte do dia por pelo menos duas semanas, nem sempre sendo possível saber porque a pessoa está assim. O mais importante é saber como a pessoa se sente, como ela continua organizando a sua vida (trabalho, cuidados domésticos, cuidados pessoais com higiene, alimentação, vestuário) e como ela está se relacionando com outras pessoas, a fim de se diagnosticar a doença e se iniciar um tratamento médico eficaz.
O que sente a pessoa deprimida?
Frequentemente o indivíduo deprimido sente-se triste e desesperançado, desanimado, abatido ou ” na fossa “, com ” baixo-astral “. Muitas pessoas com depressão, contudo, negam a existência de tais sentimentos, que podem aparecer de outras maneiras, como por um sentimento de raiva persistente, ataques de ira ou tentativas constantes de culpar os outros, ou mesmo ainda com inúmeras dores pelo corpo, sem outras causas médicas que as justifiquem. Pode ocorrer também uma perda de interesse por atividades que antes eram capazes de dar prazer à pessoa, como atividades recreativas, passatempos, encontros sociais e prática de esportes. Tais eventos deixam de ser agradáveis. Geralmente o sono e a alimentação estão também alterados, podendo haver diminuição do apetite, ou mesmo o oposto, seu aumento, havendo perda ou ganho de peso. Em relação ao sono pode ocorrer insônia, com a pessoa tendo dificuldade para começar a dormir, ou acordando no meio da noite ou mesmo mais cedo que o seu habitual, não conseguindo voltar a dormir. São comuns ainda a sensação de diminuição de energia, cansaço e fadiga, injustificáveis por algum outro problema físico.
Como é o pensamento da pessoa deprimida?
Pensamentos que frequentemente ocorrem com as pessoas deprimidas são os de se sentirem sem valor, culpando-se em demasia, sentindo-se fracassadas até por acontecimentos do passado. Muitas vezes questões comuns do dia-a-dia deixam os indivíduos com tais pensamentos. Muitas pessoas podem ter ainda dificuldade em pensar, sentindo-se com falhas para concentrar-se ou para tomar decisões antes corriqueiras, sentindo-se incapazes de tomá-las ou exagerando os efeitos “catastróficos” de suas possíveis decisões erradas.
Pensamentos de morte ou tentativas de suicídio
Frequentemente a pessoa pode pensar muito em morte, em outras pessoas que já morreram, ou na sua própria morte. Muitas vezes há um desejo suicida, às vezes com tentativas de se matar, achando ser esta a ” única saída ” ou para ” se livrar ” do sofrimento, sentimentos estes provocados pela própria depressão, que fazem a pessoa culpar-se, sentir-se inútil ou um peso para os outros. Esse aspecto faz com que a depressão seja uma das principais causas de suicídio, principalmente em pessoas deprimidas que vivem solitariamente. É bom lembrar que a própria tendência a isolar-se é uma consequência da depressão, a qual gera um ciclo vicioso depressivo que resulta na perda da esperança em melhorar naquelas pessoas que não iniciam um tratamento médico adequado.
Sentimentos que afetam a vida diária e os relacionamentos pessoais
Frequentemente a depressão pode afetar o dia-a-dia da pessoa. Muitas vezes é difícil iniciar o dia, pelo desânimo e pela tristeza ao acordar. Assim, cuidar das tarefas habituais pode tornar-se um peso: trabalhar, dedicar-se a uma outra pessoa, cuidar de filhos, entre outros afazeres podem tornar-se apenas obrigações penosas, ou mesmo impraticáveis, dependendo da gravidade dos sintomas. Dessa forma, o relacionamento com outras pessoas pode tornar-se prejudicado: dificuldades conjugais podem acentuar-se, inclusive com a diminuição do desejo sexual; desinteresse por amizades e por convívio social podem fazer o indivíduo tender a se isolar, até mesmo dificultando a busca de ajuda médica.
Como se trata a depressão?
O tratamento médico sempre se faz necessário, sendo o tipo de tratamento relacionado à intensidade dos problemas que a doença traz. Pode haver depressões leves, com poucos aspectos dos problemas mostrados anteriormente, ou pode haver depressões bem mais graves, prejudicando de forma importante a vida do indivíduo. De qualquer forma, depressões leves ou mais graves necessitam de tratamento médico, geralmente medicamentoso (com medicações antidepressivas), ou psicoterápico, ou a combinação de ambos, de acordo com a intensidade da doença e a disponibilidade dos tratamentos.
Doença de Alzheimer – Dúvidas Frequentes
1.1. O que é doença de Alzheimer?
A doença de Alzheimer é a mais frequente forma de demência entre idosos. É caracterizada por um progressivo e irreversível declínio em certas funções intelectuais: memória, orientação no tempo e no espaço, pensamento abstrato, aprendizado, incapacidade de realizar cálculos simples, distúrbios da linguagem, da comunicação e da capacidade de realizar as tarefas cotidianas. Outros sintomas incluem, mudança da personalidade e da capacidade de julgamento.
Erroneamente conhecida pela população como “esclerose” ou como o “velhinho gagá” não está relacionada com problemas circulatórios.
1.2. O que é demência?
Demência é um grupo de sintomas caracterizado por um declínio progressivo das funções intelectuais, severo o bastante para interferir com as atividades sociais e do cotidiano. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. A segunda causa mais freqüente de demência é a demência por múltiplos infartos cerebrais, uma série de pequenos derrames. A demência pode ocorrer também a partir de outras doenças do sistema nervoso como a doença de Parkinson e a Aids.
O que é Demência Senil?
Demência Senil é um termo ultrapassado que foi usado para definir demências que ocorriam em idosos.
Quantas pessoas sofrem de doença de Alzheimer?
Estima-se no Brasil 1 milhão e 200 mil pessoas.
A proporção de pessoas com a doença dobra a cada 5 anos a partir dos 65 anos de idade.
Qual é a idade da maioria das pessoas com doença de Alzheimer?
Na maioria das pessoas os sintomas iniciam depois dos 60 anos de idade.
Cerca de 3% das pessoas com idade entre 65 e 74 anos tem a doença mas quase a metade das que tem 85 ou mais são acometidas. Normalmente o diagnóstico é feito pelo menos um ano depois dos primeiros sintomas que costumam ser leves e confundidos como normais no envelhecimento.
1.3. O que causa a doença de Alzheimer ?
Os cientistas ainda não sabem exatamente qual é a causa da doença de Alzheimer. O que se sabe é que a doença desenvolve-se como resultado de uma série de eventos complexos que ocorrem no interior do cérebro.
A idade é o maior fator de risco para a doença. Quanto mais idade maior o risco.
Se uma pessoa da minha família tem Alzheimer eu tenho maior risco de ter a doença?
Existem dois tipos de doença de Alzheimer: a doença de Alzheimer familiar que ocorre em adultos jovens e parece ter um caráter hereditário importante e a forma esporádica na qual o fator hereditário não é óbvio.
Aproximadamente apenas 5 % da doença de Alzheimer é familiar e 95% esporádica.
Na forma familiar da doença de Alzheimer, vários membros de uma mesma geração são afetados. Na forma esporádica a doença desenvolve-se a partir de uma grande variedade de fatores que os cientistas ainda estão tentando determinar.
A idade é o fator de risco mais conhecido e importante para a forma esporádica da doença de Alzheimer. Ter um familiar com Alzheimer aumenta o risco duas ou três vezes na forma esporádica mas não há como prever se você irá ter a doença ou não.
Fora a genética, que outros fatores contribuem para que a doença se desenvolva?
Se bem que a causa da doença de Alzheimer ainda não esteja completamente esclarecida, alguns pesquisadores sugerem que traumas cranianos repetidos, especialmente os com perda da consciência no passado, processos inflamatórios cerebrais e o chamado “stress oxidativo” podem estar envolvidos na causa da doença.
São os homens ou as mulheres os mais afetados?
Mais mulheres do que homens têm a doença de Alzheimer. Porém, como a expectativa de vida das mulheres é pelo menos 5 anos superior a dos homens não se sabe se o risco está no sexo em si ou no fato das mulheres viverem mais do que os homens.
De que modo os traumas cranianos podem contribuir para que a doença de Alzheimer se desenvolva?
Alguns estudos sugerem que a pessoa que sofreu um trauma craniano com perda da consciência no passado, têm duas vezes mais probabilidade de ter a doença, mas outros estudos não confirmaram essa associação.
O nível educacional está relacionado com o risco de se ter à doença de Alzheimer?
Pesquisas sugerem que quanto maior o número de anos de educação formal que uma pessoa tem, menor é a chance dela ou dele desenvolver a doença quando for idoso. Alguns estudos sugerem que manter uma atividade intelectual como fazer palavras cruzadas por exemplo pode reduzir a probabilidade de se adquirir a doença de Alzheimer.
Qual é a relação entre o alumínio e a doença de Alzheimer?
Uma das mais controvertidas hipóteses veiculada pela mídia é sobre a correlação entre o alumínio e a doença de Alzheimer. Essa suspeita foi originada a partir da constatação de que portadores da doença de Alzheimer possuíam traços de alumínio em seus cérebros. Inúmeros estudos não foram capazes de demonstrar conclusivamente essa correlação. Não se pode afirmar que esse metal desempenhe um papel na gênese da enfermidade. Algumas pessoas, desinformadas ou mal intencionadas, baseiam seus pseudo-tratamentos, no mínimo duvidosos como a quelação, apoiados nessa equivocada premissa.
Quais são os sintomas da doença de Alzheimer?
A doença de Alzheimer é uma enfermidade progressiva e os sintomas agravam-se à medida que o tempo passa. Mas é também uma doença cujos sintomas, sua gravidade e velocidade variam de pessoa para pessoa.
Os sintomas mais comuns são :
- Perda de memória, confusão e desorientação.
- Ansiedade, agitação, ilusão, desconfiança.
- Alteração da personalidade e do senso crítico.
- Dificuldades com as atividades da vida diária como alimentar-se e banhar-se.
- Dificuldade em reconhecer familiares e amigos.
- Dificuldade em tomar decisões.
- Perder-se em ambientes conhecidos.
- Alucinações, inapetência, perda de peso, incontinência urinária e fecal.
- Dificuldades com a fala e a comunicação.
- Movimentos e fala repetitiva.
Perder memória não é normal em nenhuma idade. É comum à medida que vamos envelhecendo. Problemas com a memória podem ser devidos a uma ampla gama de fatores. É normal em qualquer idade esquecer de vez em quando nomes, compromissos ou objetos como chaves, guarda-chuva etc… A causa pode ser: certos medicamentos (calmantes e hipnóticos principalmente), estresse, distração, tristeza, cansaço, problemas de visão ou audição, uso de álcool, uma doença grave ou a tentativa de se lembrar de muitas coisas ao mesmo tempo.
1.4. Como a doença de Alzheimer é diagnosticada?
A doença de Alzheimer só pode ser diagnosticada com certeza através do exame microscópico do tecido cerebral por biópsia ou necropsia, para demonstrar a presença das lesões características: as placas neuríticas e os novelos neurofibrilares em certas áreas do cérebro. Os médicos podem fazer o diagnóstico de “possível” ou “provável” doença de Alzheimer.
Vários instrumentos clínicos são usados para se chegar ao diagnóstico: uma história médica completa, testes para avaliar a memória e o estado mental, avaliação do grau de atenção e concentração e das habilidades em resolver problemas e nível de comunicação. Testes laboratoriais como exames de sangue e urina são usados para excluir outras causas de demência, algumas delas passíveis de serem curadas.
Exames de imagem como a tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, spect e pet, são utilizados para determinar o tipo de demência e/ou avaliar sua gravidade.
Qual o nível de certeza do diagnóstico clínico?
Médicos experientes em doença de Alzheimer fazem o diagnóstico correto em cerca de 90% dos casos.
Quais as outras doenças que têm sintomas parecidos com a doença de Alzheimer?
Tumores cerebrais, derrames, depressão maior, doenças da tireóide, o uso de certos medicamentos, problemas nutricionais, e outras condições podem imitar os sintomas da doença de Alzheimer. O diagnóstico precoce aumenta em muito a chance de se tratar essas doenças com sucesso.
Esquecer onde coloquei as chaves, óculos é um processo natural do envelhecimento ou da doença de Alzheimer?
A depressão pode comprometer a concentração, causar distúrbios do sono que levam à perda de memória em pessoas não portadoras de doença de Alzheimer.
Pessoas nas fases iniciais da doença de Alzheimer frequentemente apresentam comprometimento da memória. Podem ter dificuldades em lembrar de eventos recentes, de atividades, de pessoas familiares e de objetos. A perda de memória que se associa com a doença de Alzheimer acaba por interferir seriamente na execução das atividades da vida diária.
Por que o diagnóstico precoce é tão importante?
Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores serão as chances de tratar os sintomas corretamente, retardando a evolução da doença e assim oferecer uma oportunidade digna para a pessoa portadora da doença de Alzheimer poder inclusive, tomar parte nas decisões que lhe diz respeito , especialmente na fase inicial da enfermidade.
Existem fases ou estágios na doença de Alzheimer?
Existem 4 fases:
Na fase inicial os sintomas mais importantes são:
- perda de memória, confusão e desorientação.
- ansiedade, agitação, ilusão, desconfiança.
- alteração da personalidade e do senso crítico.
- dificuldades com as atividades da vida diária como alimentar-se e banhar-se.
- alguma dificuldade com ações mais complexas como cozinhar, fazer compras, dirigir, telefonar.
Na fase intermediária os sintomas da fase inicial se agravam e também pode ocorrer:
- dificuldade em reconhecer familiares e amigos.
- perder-se em ambientes conhecidos.
- alucinações, inapetência, perda de peso, incontinência urinária
- dificuldades com a fala e a comunicação.
- movimentos e fala repetitiva.
- distúrbios do sono.
- problemas com ações rotineiras.
- dependência progressiva.
- vagância.
- Início de dificuldades motoras.
Na fase final:
- Dependência total.
- Imobilidade crescente.
- Incontinência urinária e fecal.
- Tendência em assumir a posição fetal.
- Mutismo.
- Restrito a poltrona ou ao leito.
- Presença de úlceras por pressão (escaras).
- Perda progressiva de peso.
- Infecções urinárias e respiratórias frequentes.
- Término da comunicação.
Na fase terminal:
- Agravamento dos sintomas da fase final
- Incontinência dupla
- Restrito ao leito
- Posição fetal
- Mutismo
- Úlceras por pressão
- Alimentação enterall
- Infecções de repetição
- Morte
A partir do diagnóstico, quanto tempo uma pessoa com doença de Alzheimer tem de vida?
Pessoas com doença de Alzheimer podem viver por muitos anos e frequentemente morrem de pneumonia. A duração da doença pode ser de 20 anos ou mais. A média de vida varia entre 4 a 8 anos.
Por que as pessoas com a doença de Alzheimer costumam morrer de pneumonia?
Realmente a pneumonia é uma das principais causas de morte em pacientes com doença de Alzheimer.
O primeiro fator se relaciona com a idade uma vez que na maioria das vezes as pessoas acometidas são idosas.
O sistema imunológico normalmente está comprometido facilitando a ocorrência de infecções, especialmente as respiratórias e urinárias.
O estado nutricional e o nível de hidratação também desempenham um papel decisivo .
É imperioso que esses pacientes estejam bem nutridos seja com o uso de suplementos ou com medidas dietéticas eficazes.
A questão da comunicação se soma a esses fatores uma vez que podem não se queixar de frio,fome, sede etc.
Nas fases mais adiantadas o paciente se movimenta menos, os sintomas motores começam a aparecer e a imobilidade propicia a instalação de infecções pulmonares, muitas vezes fatais.
Esse fato demonstra a importância dos cuidados gerais uma vez que essa complicação pode ser evitada.
Como a doença de Alzheimer é tratada?
Não existe nenhuma droga que garanta a cura, ou que interrompa definitivamente o curso da doença de Alzheimer.
Uma parcela dos doentes, especialmente nas fases iniciais e intermediárias, pode se beneficiar de alguns medicamentos específicos.
Outros medicamentos podem ajudar a controlar distúrbios de comportamento, insônia, agitação, vagância, ansiedade e depressão. O tratamento correto desses sintomas deixam o paciente e seu cuidador mais tranquilos e confortáveis. Há ainda uma outra gama de opções de drogas que podem colaborar no retardamento da doença. Várias drogas encontram-se em experiência em laboratórios por todas as partes do mundo.
Existe uma vacina contra a doença de Alzheimer?
Não há uma vacina disponível para a doença de Alzheimer. Essa abordagem está sendo investigada e é muito promissora. A vacina estimularia o sistema imunológico para reconhecer, detectar e evitar a formação das placas neuríticas e da deposição de amilóide, substância tóxica para os neurônios.
Os antiinflamatórios não hormonais podem tratar a doença de Alzheimer?
Existem fortes evidências de que a doença de Alzheimer está associada com processos inflamatórios cerebrais e que esse tipo de droga pode ajudar.
Alguns cientistas defendem a tese de que pessoas com alto risco de desenvolverem a doença poderiam evitar ou no mínimo retardar a evolução utilizando essa estratégia terapêutica. Casos de evolução muito rápida seriam candidatos naturais a esse tipo de abordagem. Os efeitos colaterais são muitos e bastante sérios fazendo com que esses pacientes devam ser acompanhados com muito cuidado e sob estrita supervisão médica.
A reposição hormonal pode ser usada para tratar a doença de Alzheimer?
Várias pesquisas estão sendo conduzidas no sentido de determinar se a administração de estrógenos retarda a evolução e/ou reduz o risco de se desenvolver a doença.
Estudo recente concluiu que a administração de estrógeno em conjunto com progesterona aumentou o risco da doença em duas vezes quando comparada com o grupo que não fez uso da medicação.
Existem compostos como as isoflavonas que mimetizam a ação dos hormônios femininos.
Parece que, por serem naturais, obtidos através da soja, beneficiam os pacientes sem apresentar os efeitos indesejáveis dos hormônios.
Mais estudos precisam ser realizados mas essa não deixa de ser uma opção interessante.
O colesterol alto representa algum risco para a doença de Alzheimer?
Recentemente alguns estudos sugerem fortemente a associação de níveis elevados de colesterol com a doença de Alzheimer. Atualmente estão em curso estudos controlados para determinar se essa correlação é verdadeira. Por outro lado, sabe-se que o colesterol sérico elevado é comprovadamente um importante fator de risco para doenças cardiovasculares devendo ser tratado independente dessa possível correlação.
É verdade que alguns nutrientes e vitaminas devem ser administradas em conjunto com o tratamento convencional?
Existem demências relacionadas com níveis baixos de vitaminas do complexo B, especialmente a vitamina B12, B1 e ácido fólico. Estudos recentes demonstraram que pacientes com doença de Alzheimer apresentam níveis elevados de Homocisteína (substância passível de ser quantificada por exame de sangue). Essa substância estaria relacionada com a teoria do “stress oxidativo” e seus níveis podem ser controlados com orientação nutricional e/ou com a administração de folato. Com base nesse mesma teoria, a suplementação de Vitamina C e de Vitamina E pode resultar em neuroproteção.
Como o familiar e cuidador (a) pode encontrar informações e ajuda sobre a doença?
A informação correta associada à solidariedade ainda são as armas mais poderosas no enfrentamento dessa grave questão humana e de saúde pública. Um site foi construído exatamente para preencher essa lacuna definitivamente
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